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13 de Dezembro de 2017

O direito de ir e vir barrado pelos pedágios

Entre os diversos trabalhos apresentados, um deles causou polêmica entre os participantes. “A Inconstitucionalidade dos Pedágios”, desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Márcia dos Santos Silva chocou, impressionou e orientou os presentes. A jovem de 22 anos apresentou o “Direito fundamental de ir e vir” nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas, conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo.Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação. Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos “Direitos e Garantias Fundamentais”, o artigo 5 diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” E no inciso XV do artigo: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,permanecer ou dele sair com seus bens”. A jovem acrescenta que “o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional. O que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição”. Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realiza contratos com o governo Estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas. “No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente. Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também”, enfatiza. A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. “Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre. Não tem perigo algum e não arranha o carro”, conta ela, que diz fazer isso sempre que viaja. Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras. Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. “Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado. Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, Acrescenta. Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. “Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional”, conclui.

5 Comentários

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Não, esse é um estudo muito raso da matéria. A CF prevê sim a possibilidade de cobrança do pedágio em seu art. 150, V. Ademais, os pedágios não barram o direito de ir e vir, apenas onera aqueles que utilizarem veículos para tanto. Podemos até discutir se existe justiça fiscal, se o dinheiro é aplicado, mas não a inconstitucionalidade. continuar lendo

Os pedágios barram o direito de ir e vir, se você não pagar não passa. Outra coisa, entre uma cláusula pétrea e um outro dispositivo qualquer inserido na Constituição a pétrea prevalece, mesmo entendendo que não há hierarquia. Pétrea é pétrea! continuar lendo

Uma pessoa mais pobre, que mal tem dinheiro para colocar gasolina no carro e que tem a necessidade de passar pela estrada por questões importantíssimas, como é que faz? continuar lendo

bom se todos temos o direito de ir e vir não poderíamos pagar pedagio por que na realidade já pagamos um imposto sobre a gasolina que e para a melhoria de nossas estradas , sabes-se que esse programa de estalar pedágios em estradas brasileiras veio dos estados unidos só que diferente e claro ,as estradas nos estados unidos são de fato muito boas mais você tem a opção e não a obrigação de passa por elas, no Brasil você e obrigação a passar por pedagio por que não a outra estrada que leve ao msm destino diferente do pais que copiamos isso , e digo mais pagar pedagio não e uma melhoria pra pras estradas e sim para as grandes empresas que estão lucrando com valores absurdos que chegam ate 15 reais a onde vamos desse jeito seremos sempre um pais de terceiro mundo ... continuar lendo